Detox

Jornal de Negócios

Diário Económico

O jazz não é todo igual

Para o músico Nuno Costa, a paixão pelo jazz nasceu quando estudava música numa escola em Sintra.

O jazz não é  todo igual

"Pensei, numa primeira instância, que o jazz era a única forma de poder estudar guitarra eléctrica e acreditava que era o ingrediente secreto por detrás de alguns dos meus grupos de eleição como The Police, por exemplo. Nessa fase descobri o Pat Metheny, Jim Hall, John Scofield, Bill Frisell e o John Abercrombie, mas ainda não era música a que dedicasse muito tempo. Sempre ouvi muito rock e ainda hoje o faço juntamente com muitas outras coisas", explica o artista. Mais tarde, no Hot Clube, talvez por uma questão de maturidade ou por tocar e estudar o repertório, seria diferente, pois foi aí que se afirmou "verdadeiramente o interesse".

Em 2002, Nuno recebeu uma bolsa de estudo para estudar na Berklee College of Music e, um ano mais tarde, foi para Boston. Concluiu a licenciatura em composição de bandas sonoras (Film Scoring) em 2005 e nesse período estudou, entre muitos outros, com Mick Goodrick, Tim Miller, Richard Davis, Hal Crook ou David Santoro. É neste momento doutorando do Curso de Artes Performativas e da Imagem em Movimento da Universidade de Lisboa.

Sobre o álbum "Detox", é um disco gravado por um sexteto que, além de Nuno na guitarra, conta com João Moreira no trompete, João Guimarães no saxofone alto, Óscar Graça no piano, Bernardo Moreira no contrabaixo e André Sousa Machado na bateria. "São músicos com quem trabalho regularmente há cerca de sete anos e com os quais sinto uma enorme cumplicidade. Tendo desde sempre sido fácil trabalhar com eles, a concordância é cada vez mais imediata. Quando quis fazer um grupo, em 2008, escolhi os que melhor me pareciam interpretar e identificar-se com a música. Houve depois um período de consenso entre a própria música e o músico e também tentei sempre, enquanto compunha, imaginar como soaria determinada passagem tocada por um deles. Neste momento, pouco ou nada tenho a dizer no ensaio porque já se me antecipam na grande maioria das vezes. Cresci e aprendi muito a tocar com eles", acrescenta. 

À semelhança dos dois discos anteriores, este é composto exclusivamente por originais e o processo de preparação também foi idêntico. Em todos os concertos, o artista tenta apresentar um ou outro tema novo para que possam evoluir até à data da gravação. Neste disco, são ainda várias as alusões à sua vida pessoal, a começar pela capa com uma maquete construída pelo pai e com temas sob forma de homenagem, dedicatória ou de simples relato e descrição. Também gosta cada vez mais de produzir e de se envolver em todas as componentes de um disco, desde planear a sessão com vídeos, fotografias e ordem de gravação a pensar na temática da capa. Apesar de estar a aguardar por algumas confirmações tem neste momento apresentações marcadas para a Culturgest, no próximo dia 9 de Outubro, bem como no CCB em Maio de 2016.

"Foram já vários os músicos nacionais e internacionais com quem felizmente tive oportunidade de tocar desde o ano de 2000, altura em que comecei a fazê-lo profissionalmente e de maneira mais regular. Nesta altura, nada há na minha vida que não goste de fazer, mas tenho de destacar a composição e interpretação como aquilo que mais me completa. Nesse sentido e paralelamente ao meu grupo, tenho juntamente com o pianista Óscar Graça um projecto de Filme-Concerto que se resume à interpretação de uma banda sonora escrita por nós para marcos históricos do Cinema. Recebemos regularmente encomendas e são diversas as participações em festivais e iniciativas ligadas à 7ª Arte", sublinha. 

Para este músico, o jazz evoluiu muito nos últimos anos em Portugal e isso deixa sem dúvida bons indicadores. "A tendência passará naturalmente pela existência de um maior número de músicos a atingir o domínio do seu instrumento, uma maturidade musical e uma voz própria de forma cada vez mais precoce. O jazz nacional tem uma identidade e, ao mesmo tempo, não é todo igual. Nem todos tocamos ou escrevemos da mesma forma e ainda bem que assim é."

http://economico.sapo.pt/noticias/o-jazz-nao-e-todo-igual_223991.html

Nota Pessoal

O jazz tem, em todo o mundo, uma variedade de estilos, formas e influências que lhe dão uma imensa diversidade. Essa é uma das suas maiores riquezas e a razão pela qual se mantém uma música tão viva, que por muito que respeite o seu passado, está permanentemente aberto à procura de um futuro nem sempre anunciado. Dentro dessa diversidade há lugar para um sem número de correntes e de opções estéticas que são menos ou mais fascinantes para quem as ouve. Também a liberdade de escolher é em si aquilo que nos permite, também como ouvintes, ter uma identidade. Eu também tenho a minha. E sempre gostei de ouvir música em que os temas não são meros pretextos para os solos. Gosto de sentir que desde o primeiro momento, intro - tema, passando pela improvisação (ou improvisações) até ao tema final (ou coda) se está a contar uma história e que há uma linha imaginária que nunca é quebrada. 

Nuno Costa (com J.G. - J.M. - O.G. - B.M. e A.S.M.) fez um disco assim. Tudo tem uma razão para lá estar. Talvez o modo e a inteligência como a música escrita se relaciona com a improvisada, como muitas vezes os solos dos vários instrumentos aparecem em estruturas e partes diferentes, seja o que torna o disco tão cativante. Dá prazer ouvir e nunca é previsível. Não sinto que seja preciso pedir mais de um disco.

All About Jazz

4/5 Estrelas

Guitarist and Berklee College of Music alumnus Nuno Costa has produced his third album, which was recorded in January 2014, in Lisbon, Portugal, where he and his band are based. It makes for some intriguing listening too. 


Electronic guitar whine cedes to ethereal harmonics, constituting the opening bars of "Hum...?," and from here on in the group sets out its stall of florid, lyrical melodies, all composed by Costa. Whilst the guitarist is somewhat overshadowed by piano, sax and trumpet, he does provide an effectively subtle introduction and ending to the piece, once more with almost imperceptible harmonics at the close. 

"Voando Sobre Um Ninho De Vespas" is the first opportunity to hear Costa's light and airy soloing, redolent of the softer, more cerebral approach taken by the likes of John Abercrombie. Here too Óscar Graça on piano and João Moreira on trumpet grace this excellently arranged number with their articulate solos. 

"Sr. Puto" is a languid, pastoral track, with Costa here providing echo-laden sustained notes, now more resembling Bill Frisell, in which the group plays an empathetic collective improvisation prior to the closing written ensemble passages. 

Plangent guitar chords introduce "A Vespa Contra—Ataca (Intro)" this short introductory piece leading into the feistier "A Vespa Contra—Ataca" where a brisk 4/4 rhythm provided by Andre Sousa Machado's keen drumming and a trumpet and sax-led unison motif provide the opening to this lively number, succeeded by Moreira's lustrous trumpet solo and an elegant flurry of notes emanating from Costa's guitar, his style both relaxed and searching. 

"Desespero Do Embalo" is more restrained with a majestic central repeated ensemble passage providing a backdrop for inventive alto sax and guitar solos before returning to the closing theme. 

The final tune, "Vespa O Ataque Final" takes a darker form than the preceding numbers with the piano's menacing minor chords to the fore, hardly surprising given the English translation of the title ("Wasp: The Final Attack"). 

As a quirky sidebar to the music, its imaginative artwork is reminiscent of the cover of prog band Family's debut album Music in a Doll's House (Reprise, 1968), something of an attractive bonus for those old enough to remember it. As for the music, Costa employs a generally self-effacing modus operandi tending to push the other soloists forward, much as Miles Davis was latterly wont to do. But whilst the guitarist takes something of a democratic stance as far as soloing goes, his music is engaging, expertly arranged and performed, compositionally hypnotic and definitely deserving of more exposure. 

Track Listing: Hum...?; Voando Sobre Um Ninho De Vespas (One Flew Over The Wasp’s Nest); Sr. Puto (Mr Kido); A Vespa Contra – Ataca (Intro); A Vespa Contra – Ataca (The Wasp Strikes Back); Desespero Do Embalo (A Lullaby In Despair); Vespa: O Ataque Final (Wasp: The Final Attack).

Personnel: Nuno Costa: guitar; João Moreira: trumpet; João Guimarães: alto saxophone; Óscar M Graça: piano; Bernardo Moreira: double bass; Andre Sousa Machado: drums

http://www.allaboutjazz.com/detox-nuno-costa-self-produced-review-by-roger-farbey.php

Jazz’halo

Bien sûr, on connaît Maria João, Mario Laginha et "notre" João Lobo. On se souvient peut-être du duo contrebasse - guitare portugaise de Charlie Haden avec Carlos Paredes ("Dialogues" en 1990)? Le festival Jazz Brugge nous a fait découvrir Carlos Barretto (cb) ainsi que Mario Delgado (g) en 2002 et Carlos Bica (cb) en 2012. Mais il faut avouer que l'on connaît mal le jazz portugais. 


Voici Nuno Costa, guitariste qui a d'abord suivi une formation classique à l'Academia de Amadores de Musica, avant de suivre les cours de la School Jazz du Hot Club du Portugal et de s'envoler aux Etats-Unis, au Berklee College de 2003 à 2005. Jusqu'à présent, il a déjà enregistré "Reticencias entre parenteses" en 2009 et "All must go" en 2012. 


Voici que sort "Detox", avec en couverture une photo de maison de poupée assez kitch. Le guitariste est entouré de cinq excellents musiciens: à la trompette, João Moreira, membre du quintet d'Antonio Zambujo; au saxophone alto, João Guimaraes, leader de son propre octet; au piano, Oscar M. Graça qui se produit souvent en quartet avec le vibraphoniste Jeffery Davis; à la contrebasse, Bernardo Moreira et, à la batterie, Andre Sousa Machado. 


Le répertoire est entièrement constitué de compositions originales dont plusieurs inspirées par le caractère belliqueux de la guêpe: A vespa contra-ataca, Vespa: o ataque final. Nuno Costa, qui maîtrise tous les registres de la guitare électrique (écoutez l'intro solo de Hum), a construit ses compositions comme des immeubles à plusieurs étages. C'est souvent la guitare qui introduit la mélodie, rejointe bientôt par le piano ou la rythmique, puis seulement par les souffleurs (Hum, Voando sobre um ninho de vespas, Desespero do embalo). La guitare est encore mise à l'honneur sur A vespa contra-ataca (intro), accompagnée par la seule contrebasse et les percussions de Andre Sousa Machado. Parfois, ce sont les souffleurs qui entament le thème, avant qu'il ne se développe avec la guitare et le piano (SR Puto, Vespa: o ataque final). 


Un jazz post-bop aux savants alliages de sonorités et aux mélodies pleines de charme.

http://www.jazzhalo.be/index.php?option=com_content&view=article&id=412&Itemid=391

Nota Pessoal

Com Detox, o guitarrista e compositor Nuno Costa, afirma-se totalmente no ambiente do jazz actual e moderno da era após 2000, construindo um mundo próprio de composições muito bem escritas e orquestradas, e usando um tipo de linguagem harmónica-melódica, bastante contemporânea do seu tempo. 

Detox é um CD que tem tanto valor no meio do jazz português como no meio dos USA, ou internacional, dado que apresenta um equilibrio muito bem conseguido entre a forma, a dinâmica, a harmonia, a melodia, e os solos, através de composições super intrincadas, sinuosas e frescas por um lado, e por outro, exóticas e pertubantes, revelando um encontro, muito bem sucedido em que o compositor sai do seu espaço confortável e arrisca com grande subtileza em composições que quebram hábitos e lugares comuns, quando comparadas com a maior parte do tipo de composiçao que é vulgar até nos melhores artistas actuais de jazz moderno. 

Um cd a ouvir pela sua arte, que decerto só será entendida por um publico sensivel e educado.

Bird is the Worm

The newest from guitarist Costa possesses a serious vibrancy and gets served up with an appealing easy-going delivery.  Strong melodies take on a dreamy presence while given plenty definition from the piano-bass-drums rhythm section.  Trumpet and alto sax round out the sextet on this excellent session.

http://www.birdistheworm.com

Jazz.pt

3/5 Estrelas

No terceiro disco de Nuno Costa ficamos com a sensação de que tudo gira em volta das canções: a preocupação central é a de fazer bons temas, com uma escrita bonita, elegante, actual. O guitarrista consegue-o, pois as sete faixas do álbum são muito bem tocadas, por um grupo tecnicamente evoluído e com um óptimo som conjunto. Além disso, a forma como arranja e distribui a escrita pelos instrumentos salienta as qualidades individuais.

Costa toca guitarra de uma forma seca, muito distante do fraseado fluido e deslizante de Pat Metheny, com quem frequentemente tem sido referenciado. Não consigo ainda identificar uma voz própria, reconhecível, tanto na execução e nos solos como na composição. Tudo soa bem mas genérico, aprumado mas comum.

A escrita usa fórmulas contemporâneas e sofisticadas, mas não consegue criar laços de simpatia com o ouvinte. Não são facilmente cantáveis, nem emocionais (espirituais, ambientais), nem tão pouco admiravelmente complexos. Ouvem-se com prazer pela variedade e pela coerência das soluções melódicas, mas não chegam a deixar marcas nem admiração. Mostram um músico maduro e completo, pois escreve e toca de forma impecável, mas está fechado num mundo extremamente controlado e seguro, que não admite caminhos imprevistos ou companheiros musicais ilógicos.

Este é um mundo sobrelotado de músicos com a mesma proficiência e que chegaram ao mesmo destino: sabem fazer, mas não passam para além do fazer. “Detox” soa um pouco como a sua capa: uma fotografia de uma casa de bonecas, daquelas que não são para as crianças brincarem, mas apenas para mostrar a minúcia e a paciência do adulto que a constrói.

http://www.jazz.pt/ponto-escuta/2015/05/20/nuno-costa-detox-edicao-de-autor/

All About Jazz

3/5 Estrelas

Young Lisbon-based, Portuguese guitarist Nuno Costa, delivers his third album as leader with the airy and very modern-like Detox boasting seven intricate originals performed by an all-European crew in a sextet format. This is not your typical straight-ahead material having discernable melodies and rhythms of the bebop or other traditional jazz nature. Costa designs compositions that are provocative and intelligent, leaning towards the fusion or edgy modern jazz style with a bit of the free-style flavor in the mix. 

The beginning "Hum...?" sets the stage for what's to follow as the group—comprised of an alto saxophonist, trumpeter, piano, bass and drum set voices—chimes in on a piece where Costa's guitar is rarely heard performing more of a supporting role than leader. The guitarist makes his presence quite evident on the very light and humbling "Volando Sobre Um Ninho de Vespa" as does Joao Guimaraes on alto and Joao Moeira on the trumpet. 

The music continues to roll with much the same texture on the following "Sr. Puto," and on "A Vespa Contra-Ataca" where Costa separates himself from the rest of the band with light and warm solos on the intro version of the tune which is decidedly different than the actual long version of the almost fusion-sounding piece. 

The album closes in much the same fashion as it began with the down-tempo "Desespero Do Embalo" and the dark "Vespa: O Ataque Final" which, unwittingly adds to the airy and somewhat cerebral aspect of the recording. Nuno Costa's special Detox recording may not be for everyone but, will certainly find a place with the discerning aficionado who can appreciate the sophisticated musical message being conveyed here. 

Track Listing: Hum...?; Voando Sobre Um Ninho De Vespas (One Flew Over The Wasp’s Nest); Sr. Puto (Mr Kido); A Vespa Contra – Ataca (Intro); A Vespa Contra – Ataca (The Wasp Strikes Back); Desespero Do Embalo (A Lullaby In Despair); Vespa: O Ataque Final (Wasp: The Final Attack).

Personnel: Nuno Costa: guitar; João Moeira: trumpet; João Guimarães: alto saxophone; Óscar M Graça: piano; Bernardo Moreira: double bass; Andre Sousa Machado: drums

http://www.allaboutjazz.com/detox-nuno-costa-self-produced-review-by-edward-blanco.php

All About Jazz

3,5/5 Estrelas

Many things inspired Portuguese guitarist Nuno Costa making this, his third album: the Bible, Matthew 20:16, "So the last will be first, and the first will be last"; the life of a wasp; his pet dog, Mr Kido; and— last but by no means least—his newly-born daughter Leonor. His songs start well, struggle to find meaningful direction and then—very often— tend simply to peter out. Hey, but that's jazz... isn't it? 

The session kicks off with "Hum...?" This, says Costa, was the last piece he wrote for the album... "and so it made perfect sense to be the one chosen for the opening track." Eh? Oscar Graca follows the ethereal electric guitar intro with some sensitive piano. 

In the ensemble passages throughout the disk, Costa's band produces music sometimes reminiscent of those classic experiments in collective improvisation by Ornette Colemanback in the late 1950s, though most of it was written. Costa no doubt analysed Coleman's music during his studies at Berklee. 

The first of three songs about wasps, "Voando Sobre Um Ninho De Vespas, One Flew Over The Wasp's Nest," is one of the more interesting items. It's up-tempo and features a deliberately disjointed guitar solo from the leader and exploratory piano by Graca. Then comes a dialogue between guitar and bass. So far, so good but, after a trumpet solo by Joao Moreira, it all just fizzles out. 

Moreira introduces Costa's tribute to "Sr Puto, Mr Kido," followed by Graca. It's a mournful ditty, punctuated by nice, soaring guitar licks from the leader, perhaps remembering playing with his pet as a child. There are some interesting ensemble passages before a very abrupt ending. 

Costa introduces the second wasp song, "A Vespa Contra- Ataca, The Wasp Strikes Back," on acoustic guitar, assembling a beautiful collection of chords, before the mood changes as the wasp— played by Joao Moreira—attacks then withdraws to lick its wounds (assuming wasps can do such a thing). 

Moreira's trumpet leads the way into "Desepero Do Embalo , A Lullaby In Despair," the song for daughter Leonor. It's almost a dirge but with some attractive, almost folksy electric guitar by Costa. 

"Vespa: O Ataque Final, Wasp: The Final Attack" lacks the sting implicit in its title but features some excellent meditative piano from Graca. Joao Moreira again plays the title role. 

The album is well produced and features fine retro art work on cover and sleeve.

http://www.allaboutjazz.com/detox-nuno-costa-self-produced-review-by-chris-mosey.php

Zero Emag - Fábrica Zero

Monstros e vespas

Não sei contar os monstros que este mundo tem. Ou o monstro que este mundo é? Não sei contar as dificuldades que a arte tem para sobreviver num mundo de monstros. A beleza e o seu contraste e nem sequer estou a falar da descrição artística da monstruosidade do mundo. Que, se bem feita, pode ser verdadeiramente bela.

Há no Museu da Arte Antiga um magnífico exemplo disso mesmo. Parece uma peça saída do sítio. O Bosch que lá está é como ter um Guernica, uma Mona Lisa, mas está no coração da cidade de Lisboa. É quase bizarro, se pensarmos na pouca atenção que lhe damos colectivamente.

Há no entanto a luz do outro lado. Nesse sentido Lisboa é ainda mais bizarra. Um pouco por toda a parte da cidade temos alguns dos melhores músicos do mundo. Não entendo a nossa reserva em dizé-lo. Porquê dizer que o Nuno Costa é um dos melhores guitarristas do país? Podemos dizer. É verdade. Mas podemos dizer que é um dos melhores do mundo. Não fica feio. Pelo contrário. Soa a justo.

O último disco do Nuno – “Detox” -  é um disco incrível. Uma sonoridade inovadora, que enriquece muito o jazz, representando Portugal ao mais alto nível. É um ataque forte e rápido à sonoridade do jazz, sobrevoando um inúmero número de possibilidades…

Viram! Eu também consigo escrever sobre música sem dizer nada. Na minha tentativa de ganhar tempo para vocês abrirem todos os vídeos que aqui estão. É o meu trabalho. Por vezes um pouco mais conseguido do que outras. O essencial é mesmo tentar ouvir o Nuno. Ouvi-lo com atenção.

Não há outra maneira. Descobrir o voo que o inspira no mundo isolado dos monstros que nos constrói. Se não monstros, vamos dizer vespas.

http://www.zeroemag.pt/rufus-hes-the-man-nuno-costa/

All About Jazz

3,5/5 Estrelas

Portuguese guitarist Nuno Costa is heavily involved in music for film—his Berklee College of Music major was Film Scoring—so it's not surprising that his music often has a cinematic quality. This includes dramatic episodic compositional structures as well as programmatic song titles. Detox is his third album, following (...) -Reticências entre Parênteses (2009) and All Must Go (2012). 

The opener "Hum...?" contains the most electronic sounds on the album (courtesy of guitar effects), which contrasts with the mostly acoustic environment. It features pattern repetition—kind of a less frenetic version of Nik Bartsch's Ronin—and a structure that sounds more composed than improvised. "Voando Sobre Um Ninho De Vespas (One Flew Over The Wasp's Nest)" is the first track in a trilogy inspired by a wasp's life. It doesn't sound especially wasp-like, but it's a striking melodic tune in the Pat Metheny vein. The long coda includes a lovely extended piano solo from óscar marcelino da graça, followed by solo space for the bass and trumpet. Costa also takes a long solo: if he seems more in the background than usual on a guitarist's date, it's only because the focus is more on his composing than playing. 

Saxophonist João Guimarães gets his turn in the spotlight during "Sr. Puto (Mr Kido)" (an elegy to Costa's dog), gradually joined by the rest of the band in a group improvisation completely lacking the harshness often found in free playing. "A Vespa Contra—Ataca (The Wasp Strikes Back)" is distinguished by its striking, angular theme, as well as the lyrical guitar playing during the Intro. "Vespa: O Ataque Final (Wasp: The Final Attack)" completes the wasp's story. Aside from some ominous harmonies, it doesn't really sound much like an attack. The tone of the album really is well represented by the cover art: imaginative, gentle, even a bit whimsical at times.There's musical variety here, but it always leans toward the lyrical.

http://www.allaboutjazz.com/detox-nuno-costa-self-produced-review-by-mark-sullivan.php

All About Jazz

4,5/5 Estrelas

C'è un velo di malinconico lirismo, di nostalgico abbandono, nella musica di Nuno Costa che ricorda il carattere profondo dell'animo portoghese. 
35 anni, operante a Lisbona nella nuova e stimolante scena musicale cittadina, il chitarrista è tornato sulle rive del Tejo da un decennio, dopo essersi diplomato con lode al Berklee College of Music di Boston. In questo periodo ha inciso due dischi ottenendo eccellenti giudizi critici: Reticências entre parênteses (Tone Pitch, 2009) e All Must Go (Tone Pitch, 2012). Ora presenta questo radioso lavoro confermando il nucleo dei suoi abituali partner: il trombettista João Moeira, il sassofonista João Guimarãese la ritmica comprendente il pianista Óscar Graça, il bassista Bernardo Moreira e il batterista Andre Sousa Machado. 

È proprio il caso di citarli tutti perchè sono musicisti di talento e condividono con Costa la riuscita dell'album. La relazione tra la dolcissima tromba di Moeira e l'obliquo contralto Guimarães è uno dei punti caratterizzanti il lavoro. Lo stile del chitarrista si collega a John Abercrombie e al primo Pat Metheny ma di suo aggiunge un suono morbido e ricco di accenti, più una spiccata propensione melodica e qualche velleità sperimentale. In questo disco la sua presenza solista è discreta e Costa preferisce integrarsi nel collettivo (anche se dà la misura della sue doti in "Voando Sobre Um Ninho De Vespas" e "Desespero do embalo") privilegiando la sua statura di fantasioso compositore. 

La musica del disco è davvero splendida. I temi si sviluppano nella sottile tensione tra le cantabili melodie base (esposte dall'affascinante impasto timbrico tromba/sax), e i variopinti sviluppi successivi che usano lunghi pedali, accelerazioni metriche e rallentamenti, dinamismi e abbandoni lirici, momenti swinganti e liberi confronti improvvisati. Il tutto entro una coerente e ricercata cifra espressiva che ricorda talvolta la fragrante leggerezza della musica di Ben Allison nel gruppo con Ron Horton e Steve Cardenas
Difficile scegliere tra i brani, tutti costruiti con eleganza e attenzione ai contrasti dinamici, con gli assoli sempre funzionali agli sviluppi complessivi: tra i momenti più alti ricordiamo "Sr. Puto" (con Óscar Graça e João Guimarães in bell'evidenza) e il lungo "Voando Sobre Um Ninho De Vespas."

http://www.allaboutjazz.com/detox-nuno-costa-self-produced-review-by-angelo-leonardi.php

Ípsilon - Jornal Público

4/5 Estrelas

...Com uma carreira mais curta, o também guitarrista Nuno Costa acaba de lançar o seu terceiro álbum, Detox, também gravado em sexteto. Ao lado de Costa estão aqui nomes sonantes da cena lisboeta: dois irmãos Moreira, Bernardo no contrabaixo, João no trompete, e o baterista André Sousa Machado. A estes juntam-se dois jovens músicos oriundos do norte: João Guimarães (saxofone alto) e Óscar Marcelino da Graça (piano). Logo nos seus dois primeiros discos, (...) Reticências entre parênteses e All Must Go, destacou-se a originalidade da composição de Costa, associada a um certo lado paisagístico.

Essas características são confirmadas neste terceiro disco, onde os temas não têm pressa, evoluem tranquilamente com a participação colectiva. A guitarra sóbria de Costa não tem preocupação de se fazer notar, abre espaço aos parceiros, que exploram convenientemente e com experiência cada intervenção. Mas, apesar de não ser gulosa, também a guitarra de Nuno Costa se faz notar, com o seu fraseado bem controlado, como acontece no tema A vespa contra-ataca, onde sola a alto nível. Como nota de curiosidade, no booklet deste disco o autor assina um pequeno texto sobre cada uma das composições e, mais do que escrever sobre a música em si, explica os títulos e sentimentos ligados a cada tema. Esta é uma ideia que poderia ser imitada por outros músicos, por ajudar a orientar o ouvinte, combinando a pura fruição sonora e o desvendar do seu universo.

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/guitarras-ao-alto-1710374
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