"(...) - Reticências entre Parênteses"

Jornal "Público"/Jazz XXI

4,5/5 Estrelas

Com a sua estreia em disco, Nuno Costa afirma-se como um interessante guitarrista e, acima de tudo, como um dos grandes compositores do nosso jazz.

Nuno Costa não é apenas mais um guitarrista em terra de guitarristas, e tão pouco mais um jovem músico de jazz que também compõe. Todo este registo flui como uma suite extremamente bem concebida e condignamente abrilhantada pelo contributo de todos os músicos do quinteto, tanto pela forma como estes dão corpo ao material composto como pelo elevado nível das improvisações que se vão seguindo ou sobrepondo de forma extremamente natural e orgânica. 

 

Numa primeira impressão, poderá o ouvinte sentir-se na presença de mais um "clone" de André Fernandes, mas audições sucessivas do disco permitem a descoberta de várias outras fontes de inspiração para o guitarrista – sendo Pat Metheny uma das mais perceptíveis – e até mesmo de vários aspectos reconhecivelmente singulares e sobejamente interessantes no seu fraseio improvisado e no modo como liga as intervenções dos restantes músicos. 

 

Discípulo de Lee Konitz, em particular pelo "choro" melódico, frequentemente abstracto, com que alonga cada frase ou a liga à seguinte, o saxofonista alto João Guimarães, cada vez mais assertivo nas suas intervenções, deixa uma forte marca ao longo de todo o álbum, o mesmo se podendo dizer de Bernardo Moreira e Marcos Cavaleiro, dupla que aqui se junta em disco pela primeira vez. Ora impondo o impetuososwing que impulsiona os restantes músicos para patamares sucessivamente mais elevados no desenvolvimento das suas improvisações, ora alimentando impressionantes rubatos, ora mesmo cada um deles como solista, Moreira e Cavaleiro constituem um secção rítmica dificilmente melhorável. 

 

Mas, não obstante a qualidade do trabalho de composição e a apurada forma em que todos os músicos aqui se encontram, o mais impressionante "achado" desta gravação será o pianista Óscar Marcelino da Graça, um músico extremamente imaginativo a todos os níveis, que reúne todos os requisitos para que a seu propósito muita tinta venha a correr nos próximos tempos.

http://sites.google.com/site/jazzxxiproject/CRITICAS/nuno-costa

Revista Jazz.pt

 4/5 Estrelas

Num país onde não faltam guitarristas de jazz, acaba de surgir mais um. Com passagem pela escola do Hot Clube e por Berklee, Nuno Costa é um jovem em processo de afirmação. O que distingue a sua guitarra? O álbum "(...)" - leia-se "Reticências entre Parêntesis" - dá a resposta. 

 

Costa tem neste disco um trabalho algo distinto do habitual jazz guitarrístico, investindo-lhe uma forte veia "paisagística", com os temas a irem para lá da simples função exposição do tema-improvisação-exposição. Aqui, as composições estão marcadas por um cariz "cinemático", daí resultando uma música que não ficava mal a acompanhar as imagens de um drama familiar europeu com um "twist" no fim.

 

A acompanhar Costa (que se revela um excelente executante) está um quarteto bem rodado, alternando entre a juventude e a veterania: João Guimarães, Óscar Graça, Bernardo Moreira e Marcos Cavaleiro. Boas companhias, portanto, para esta bem-vinda estreia. No tema homónimo "(...)" encontramos o grupo na máxima força, a guitarra a brilhar, o piano e o sax em alto nível e uma dupla rítmica com força. 

 

O disco foi lançado durante o festival Jazz.pt e é um sinal claro de que o jazz nacional está a procurar novos caminhos.

http://www.jacc.pt/jazzpt/

Cadence Magazine

The guitar and its ancestor, the lute, have a long history in Portugaland a rich tradition going back many centuries. So it should come as no surprise that there are a number of fine guitarists emerging or already emerged from the Portuguese Jazz/Improvisational scene. This review article takes a look at three of them.

We turn to Nuno Costa and his music. Here’s a larger band with the addition of alto sax. This is in a similar bag to the others and again you can hear some Metheny-Abercrombie influences. But there are frequent spikes of originality and a little more edge than the norm from time to time.

There’s a quiet and moody beginning to the album in “ElDorado,” with an ostinato, then melodic extensions on the upper range of the alto with guitar arpeggiation; then back to the ostinato. Further on a syncopated chordal sequence develops and the rhythm section plays in rockish time while the alto takes a solo that is straight forward yet eloquent. Now Costa’s guitar comes in over the rhythm section and states certain tones without hurry, and he gradually branches out from the initial tone sequence and increases intensity without necessarily doing a lot of fast passagework. Piano solos next and has a good sense of chordal extensions and chromatic runs that brings more complexity and density to the piece. Rhythmically he is quite sophisticated too. Some quiet notes-chords on guitar alone map out a nicely put together melodic-harmonic structure on “Primogene.” This is lyrical and hushed—and it sounds a little Brazilian in its lyricism, which I suppose is only to say that it sounds inherently Portuguese, since what is Brazilian has Portuguese roots and there has been a cross-influence, especially in Fado, for example. The guitar solo has a lyrical quasi Methenyness. The alto sounds quite lyrical in his solo aswell and it’s quite nice, a kind of Portuguese Desmond; well almost,anyway. I like this altoist, this Mr. Joao Guimaraes! Oscar Graca gets his shot on piano and he is busier and more chromatic than the others. It gives the improvisations a little contrast.

So here’s another perfectly good one. It has a certain ECMish quality again. And the tunes are nice enough. Guimaraes wields a fluid alto and Costa can clearly play and occasionally turns it up a bit. This is subtle Fusion, and not bad at all. On a personal note, the less this sort of music produces an alphabet soup of all the right notes, the more there is the spike of electricity (though not exclusively), the more the pieces veer away from the generic and into the personal and local, the more there is a fire of some sort in the rhythm section, the more I like it. It’s when there is too little of these elements that I feel personal dissatisfaction. (Though I over-generalize for the sake of the point.) That is not to say that everybody will respond to this sort of Fusion in my way. Our personal tastes intervene whatever we hear, and that has to do with our musical pleasure center. Happy the ears that get what they want to hear! Happier the ears that learn to hear more than they have heard before!

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